A exploração mineral no Amapá

 

A Igreja Católica de Macapá diz

“não à extinção da Renca”

 

O Bispo da Diocese de Macapá, Dom Pedro José Conti, juntamente com os padres e lideranças da diocese do Amapá, emitiram nota sobre o decreto 9142/2017 que pretendia a extinção a Reserva Nacional do Cobre e Associadas (Renca).

“A política não deve se submeter à economia, e esta não deve se submeter aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. Pensando no bem comum, hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente ao serviço da vida, especialmente da vida humana […]. Convém evitar uma concepção mágica do mercado, que tende a pensar que os problemas se resolvem apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos. Será realista esperar que quem está obcecado com a maximização dos lucros se detenha a considerar os efeitos ambientais que deixará às próximas gerações?”, (Papa Francisco – Laudato SÌ, n° 189 ).

O clero da Diocese de Macapá, reunido em Macapá (AP), nos dias de 22 a 24 de agosto de 2017 e a liderança leiga de nossa Diocese, reunida em 26/08 na mesma cidade, manifestam sua posição a respeito do Decreto 9142/2017 de autoria do Poder Executivo.

Este decreto extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associadas (Renca). Uma área de 47 mil quilômetros quadrado entre o Pará e o Amapá, rica em ouro e outros minérios, mas também fundamental para a conservação da biodiversidade do bioma amazônico e a sobrevivência de comunidades locais. “Segundo relatório divulgado no mês passado pela WWF-Brasil e Jazida.com, a extinção da Renca deverá gerar uma série de conflitos entre a atividade minerária, a conservação da biodiversidade e os povos indígenas.

A Renca engloba nove áreas protegidas, sendo três delas de proteção integral: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, as Florestas Estaduais do Paru e do Amapá, a Reserva Biológica de Maicuru, a Estação Ecológica do Jari, a Reserva Extrativista Rio Cajari, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru e as Terras Indígenas Waiãpi e Rio Paru d`Este” (cf. www.wwf.org.br).

A liberação da atividade minerária neste local coloc

  • A preservação do bioma Amazônico, um dos focos da CF 2017 – CNBB, com o desmatamento e a perda da biodiversidade;
  • As áreas protegidas, podendo causar impactos irreversíveis ao meio ambiente e aos povos da região que, na sua maioria, estão dentro da circunscrição geográfica de nossa diocese;
  • Haverá exploração e comprometimento dos recursos hídricos;
  • Haverá também o acirramento dos conflitos fundiários e ameaça a povos indígenas e populações tradicionais;

Diante disso demonstramos uma grave preocupação com o Bioma Amazônico que foi colocado em risco por esse decreto e um repúdio a falta de respeito e diálogo com toda a população local e organismos de proteção.

Convocamos todos os cristãos, de modo especial, os membros das nossas comunidades e pessoas de boa vontade para se unirem na defesa da Casa Comum, como nos pede o Papa Francisco. Neste caso concreto se propõe a defesa do Bioma Amazônico que é a nossa casa e de onde vem o nosso sustento. Nossa intenção não tem outro interesse que não seja o de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.

Na celebração do Ano Mariano Nacional, confiamos o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Deus nos abençoe!

Macapá, AP, 26 de agosto de 2017.

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