Valorizar os povos da floresta

 

A floresta, o rio e a vida do povo

 

Este é o Sebastião Freitas Marques, o seu Sabá, como é chamado na comunidade São Francisco de Assis do Iratapuru. A comunidade fica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru (RDS). Seu Sabá nasceu e cresceu às margens do Rio Iratapuru. Disse que o rio e a floresta são a sua vida e a vida de seu povo.

Ele nos aguardava no porto improvisado, com sua voadeira. À nossa esquerda estava a Hidrelétrica Santo Antônio do Jari, uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), mas que trouxe grandes impactos ambientais contra as comunidades daquela região.

Seu Sabá, de fala serena, permeada por grandes silêncios e olhar para além do rio e da mata, nos conduziu até à sua comunidade. Mostrou os estragos que a barragem produziu, com a morte das árvores devido a inundação. Falou com tristeza da mortandade de peixes e do açaizal que foi para debaixo da água. Disse que o açaí era umas das fontes de subsistência das comunidades que vivem às margens do Jari.

Na RDS do Iratapuru, a comunidade explora principalmente a castanha-do-Brasil, mas também outras espécies como a andiroba, a copaíba e o camu-camu e a pesca.

Sabá revela que em comunidade fica mais fácil construir a vida, disse que “agrupados” facilita conquistas para todos.

Conta que ficaram perplexos com o Decreto do governo federal que extinguia a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), região da qual faz parte a RDS Iratapuru. Afirma categoricamente: “Só sobreviveremos nesta terra em virtude desta natureza. Os poderosos não pensam em nós que estamos aqui protegendo essa maravilha”, sentencia.

A RDS do rio Iratapuru tem 806.184 hectares e foi criada por meio da Lei Estadual nº 0392 de 11 de dezembro de 1997, e propõe o uso sustentável da biodiversidade que é em abundância. E está localizada entre os municípios de Laranjal do Jari, Mazagão e Pedra Branca do Amapari.  Possui limites com a Terra Indígena Waiãpi, ao norte, com o curso do rio Jarí a oeste e parte da Estação Ecológica do Jarí, ao sul.

“Uma mensagem que eu deixo aqui, que eu levo pro mundo todo, é que todo mundo tem que se preocupar com a Amazônia, tem que se preocupar com a natureza. Então, mesmo que você não esteja aqui ao redor de nós, mas que esteja protegendo a Amazônia, que se preocupe com a Amazônia, que tenha essa preocupação de também defender a Amazônia, assim como nós temos defendido como extrativistas e como moradores dessa comunidade. Só sobreviveremos com nossas gerações futuras em virtude desta natureza”, disse Sebastião Freitas Marques.

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